segunda-feira, 25 de agosto de 2014

de Emergência

Katerina Plotnikova, Tree.

viu o tempo mudando, dançando,
rodando por dentro em serpente,
crescendo no ventre: serpente,
seu corpo: sentido serpente
bem pressentiu presságios:
há alguma metafísica
no tempo da infecção?

escutou: ecos efêmeros
contra a própria vontade de ficar:
"toda a gente aqui é só, não sabia?"
e se o abraço da vida crescida é pouco
o corpo se fecha
o tempo é cozido
o corpo quer se assegurar:
“já posso dormir?”

escuto que há vozes por todos os lados
e há salvação e grandeza na arte
sussurros no ouvido, sonoros no tímpano...
“sim, meu bem, agora é tarde”,
 recarregue logo o seu amor.
A arte que salva...
é a que nos salva?
Onde, por favor, fica a saída?
Alguma saída? Onde fica?


Patrícia Porto