sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Janelas (III): o amor e o charco

Ádám Gyula- Gyimes

Meu amor falou assim:
“do charco nasce a flor”,
do Charco, meu amor,
Chagas nascem do meu corpo doce
junto à Flor do meu sexo bruto
como da transformação nasce o mel
E das violentas sedes da minha alma
Nasce o escuro
Assim como do fim nasce o início,
Como das bocas nascem e caem os dentes
Como da vida nasce a morte
E do tempo nasce o futuro que nunca chega,
mas nos corta fundo
ao meio de tudo.

Patrícia Porto