terça-feira, 19 de agosto de 2014

A dor de ter asas.

 

by Katerina Plotnikova


A companhia do voo é sempre
silenciosa, um grito-soco no dentro,
um abismo em doses de efêmeros.
E ainda assim leve...
Leve, leve, leve...

Quem saberá se não viver o voo?
Como saber se não voar ao viver o bicho?

Entende que está morto e se está morto pode voar.
Pode voar o quanto quiser.

Essa é a liberdade de quem sangra. 

Patrícia Porto