quinta-feira, 17 de julho de 2014

O Peixe e o Olhar de João



As palavras deram agora para brotar da boca,
vêm em saltos como peixes que se incubem de ser ar.
Uma tarefa onírica.
Como um peixe pode ser ar? João me perguntou.
Quando pula e desenha um salto majestoso e extraordinário no espaço
o peixe desafia a sua própria natureza de mar e se transmuta ar.
Então será que olha de relance tudo o que está em volta de si
em milésimos de segundos
e guarda tudo profusamente como experiência mágica?
Não. O peixe quer saber de voar em sonhos de ar.

Se precipita. Se arrisca. Se atira. E morre pelo olhar.

João me deu um copo d`água. Eu ali um peixe morrendo de olhar.
Ele me disse: "as melhores coisas da vida são as mais fáceis".
E só queria morrer se João deixasse.

Patrícia Porto