domingo, 6 de julho de 2014

Agulhas para compor palheiros








Sou a criadeira de versos,
esses de estribilho,
palavras de linhas,
mulher de morrer no mar ou na rede,
água-viva que tanto queima
e beija no doce - esse assunto vulcânico.

Devo dizer que nada sei

dos futuros ou augúrios das mãos.
Sei das agulhas, dessas finas
de tecer na dor o verso no inverso o feio,
sugando a vida, o leite de todo viço fresco.

Ah, eu sei, sei do que me desalinha.
O que me faz perder o ponto.
"Poesia! Poesia..." Chamo daqui. Ela me acende.

E tu? Quem és? 

Meu querido hóspede, meu lado sombrio de mim,
sei que só tu sabes bem desses feitos de agulhas
e como colecionar palheiros onde a procura sempre se perde.


Patrícia Porto