sexta-feira, 20 de junho de 2014

No dia que te vi estrelas

RIIKKA SORMUNEN


Quando ela era criança
Subia telhados de estrelas
E fazia estrelas nos próprios telhados
Os telhados de estrelas fazia
Com céu de criança no quarto
Quando ela era

Quando ela aprendeu a crescer
Com suas próprias mãos
Construiu telhados de vidro
E quebrou espelhos com as mãos
Violentamente fez de vidro telhados
E quebrou silêncios
Quando teve espelhos
e semelhanças feitas com suas próprias mãos

Quando a desordem cessou
Ela desceu do telhado da casa
As estrelas haviam partido
Ela sequer teve mãos
Para dizer adeus
Então a morte dela chorou
Os olhos inundaram
Os vidros se estilhaçaram
Fragmentaram sujas possibilidades
de expansão

Desejou outro céu
Outras poeiras


Patrícia Porto

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