segunda-feira, 9 de junho de 2014

Memória


Maleonn


Memória

Essa ponte firme sobre o abismo
Com promessas de frutos sem dor
Não revelam as bandeiras escondidas
As bandeiras escondidas nos armários
Com os ossos de nossas ambições
Para onde vamos se a tal liberdade é tão racional?
Que tempo é esse, soldado?
Que cruzes são essas nas portas de nossas casas?
Andamos de antolhos por cima dessa ponte,
Máscaras demais para encenar, risos tortos, risos frios,
Cinismo, jogo, doença que mata de tão real
Freios para esses moços, freios para o tempo que come,
O tempo de morrer de inanição, a fome mundial, a fome
De sonho, de sentido, se vai significar ou não,
Se dobro esse papel em dois ou três...
Se pulo essa janela, enfim... Não resolvo?
Essa dor sobre o vazio, essa cruz sobre o abismo
Sou homem, mulher, sou mulher desse homem bravo, rude...
Sou a criança esquecida, o fruto esquecido, sou ela e sou você
Por que o sol ainda nos queima?
Passou uma nuvem, um nuvem carregada de tempos,
Velhos, moços, tempos, gomos de tempos, gérmens de tempos
Na Vila Militar há um desfile... um calor de subúrbio...
Levo minha bandeira, mas meu peito é pedra, sou toda memória

Patricia Porto