sábado, 21 de junho de 2014

Depois de horas...

Reeve Lim

Quando você vier
o poço estará seco
a pista vazia
a noite escura
o tempo esticado
fugido

Quando você vier
estarei em outra onda
vivendo outros mares
ou talvez dilúvios, novas tempestades

As horas estarão se alargando entre os ponteiros
apavorando os passageiros dessa nave
Os dias não serão mais tolerantes
Nem eu serei mais eu, nem tu serás menino ou meu destino

Faz frio no inverno dessa casa e os tempos são voláteis
como meninos nas ruas, correm atrás das pipas pelos ares
e enfrentando a vida que é tão dura, tão dura, são audazes

O vasto do meu peito é um poema
Não sei fazer de outro jeito essa sequela
o tempo diluindo a cristaleira
nos corpos da cicuta industrial

as fichas tão jogadas pelos ventos
enfim serão tão logo engolidas ao acaso
quando você vier

Patrícia Porto