terça-feira, 17 de junho de 2014

Cais do Porto


Franz Falckenhaus


Eu não espero
Não teço
ou tropeço no corpo dele
Eu não diluo o que concentro
e não elaboro o mar, eu o invento

Se ele vem me alegro
Se não vem não me entristeço ou luto
Meu amor é o próprio tecido de vida
Da vida componho meus traços no entorno

Não calculo ou me alucino
não me perco na ausência dele
não me entendo nele
não me acho nele

Sou o mar inventado, o mergulho, a viagem,
as águas, os líquidos que dou de beber
Não me angustia o retorno
de quem nunca soube de si em mim

Patrícia de Cássia Porto
Pátria Cais e Porto