sábado, 7 de junho de 2014

Apelo dramático


                                                                                  1907, Klimt, Gustav


Eram coisas como acúmulos e apegos
que de tantas matizes
senti-me declinada a contemplar meus vazios
e lancei

Ele não saberá desse meu drama
Eu bem fiz reminiscências nas garrafas que lancei
em acenos que lancei
em indiretas, diretas, bilhetes, angustias
que lancei

Ele não soube ou saberá desse vazio ao meio
Se ando para trás ou se cometo essas covardias
O apelo eu tatuei na encosta de um rio, uma costa
Gravei em hieróglifos, constelações
Traduzi em sonoras gargalhadas
Deixei até gastar num canto de passarinho

Foi perdendo a cor, ele não viu

O vazio foi crescendo desbotado
e eu ali naquele apelo pedindo, socorrendo-me,
uma estrelinha caiu, morta de muitos anos
e eu escrevi na areia de mar:
"vem que estou receptiva!"

Mas ele não viu nem sina de minha fumaça!
Mar veio e engoliu os sinais


Patrícia Porto