sábado, 7 de junho de 2014

a moça e a flor






Um dia ela teceu de um gesto violento
a fragilidade de um poema-flor, uma poema-rosa,
um poema-cor-de-útero-vazio-e-cheio
Um dia ela pariu da aspereza um sopro-lúcido-louco-lancinante-
um delírio de um poema-chaga-dolorido-de-partos]
Um dia como o de hoje ela que era de existência frágil
depois de um tombo na curva do inferno escreveu
um poema-sangue-vinho-limpinho-sujinho-de-digitais
Falem baixo, por favor, silêncios...
Um poema intenso acabou de nascer
Podem olhar
[Estão abertos

Patrícia Porto