quarta-feira, 21 de maio de 2014

À flor



Eu e minha solidão
sabemos colecionar:
cartas não escritas
ideias dicotômicas.
Fotos rasgadas ao meio.

E sabemos ouvir
a música de capela nas paradoxais.
Claro, tem essas janelas, as tantas janelas,
e os vidrinhos de remédios,
os vidros quebrados, esses nossos fragmentos,
as notícias, os mundos para olhar
e comer feito um voraz voyer.

Amor de carne,
calcinha com mel,
telefonemas estranhos e banheiros ocupados,
vozesinhas absurdas...

Eu e minha solidão, nós duas,
sabemos colecionar
à pele
à unha
a flor...

Patricia Porto