sexta-feira, 18 de abril de 2014

Querido papai.

Ekaterina Panikanova


É brincadeira de esconde e esconde? O coelho assopra.
Dizem que foi papai que não fechou a janela direito,
por isso o frio entrou tão fundo, estranho em mim.
Sou criança ainda, não sei dizer que não quero, papai,
essas suas bombas no meu jardim... 
Vou atrasar esse trem como ordenou. Atrasar o destino.
Meia volta e volver. Papai não é tão veloz!
Mas é tão feroz!
Vou compor esta canção de esqueletos,
de versos encabulados de despedidas,
bonecos encapuzados no armário...
Vou de asas alongadas nessa viagem que cruzo, e faço sozinha,
tão solzinho nesta folha solta de me descolorir.


Patrícia Porto