quarta-feira, 2 de abril de 2014

Desejo



Não sabia que a alegria tinha um nome
até aprender pronunciá-la na língua...
A língua que me alimenta as imagens,
que me preserva e magoa quando não me quer.
Não sabia que a alegria tinha esse rosto, uma face,
até vislumbrar no seus olhos
a beleza caótica e poética
das ruas e das estrelas: Isso era então Poesia! Maior!
Ah, não quero ornamentos, apenas o inescapável, a antes lógica!
Aquilo que é do sentimento da linguagem. Densa, bruta, dinâmica,
perdido o hímen do lácio.
Nua em riste. Absurda.


Patrícia Porto