domingo, 20 de abril de 2014

Animatopia

 Ekaterina Panikanova 

Porque era um corpo de imagens,
uma ciência fugaz, como a vida,
carregava sonhos e sopros que não cabiam fora de si
Do si mesmo inventou a solidão,
Do si mesmo deu para falar
e entender uma nova linguagem,
a dos corpos não-domesticáveis
no corpo nu da poesia, uma cicatriz propositada. 
Um corpo que se dobra à curvatura do espaço e tempo
que deu para saltar com os pés
as dobras do tempo, um labirinto.
Deu para ser o tempo dobrado sobre seu corpo.
Na solidão fabricada de novas memórias, seu desafio:
conhecer a anatomia desse novo animal
curvando-se ao espaço.
Amar esse animal
e deixar-se avistar por Ele.


Patrícia Porto



Estou seduzido.
As pernas bobas e inseguras , seguram o meu desequilíbrio e ousadia.
Morrer desse amor impensado ou viver em plena agonia.
Gosto da tua coragem na espera.
Da tua fé em mudanças, bem me faz.
Gosto, mais ainda, dessa meta metamorfose.
Uma espera não resignada.
Uma certeza impossível
Um ''q'' de verdade nesse lúdico espelho.
Aparelho do disfarce.
Daria minha morte para vê-lo.


EDUARDOCAETANO


            Esta espetacular capacidade que o ser humano tem de se reinventar, torna infinitos os caminhos buscados. A vida vai nos burilando, moldando, desfazendo..A vida é cruel. Aí, aprendemos o truque. Não podemos com o inimigo...então, nos unimos a ele. E é esta unidade, este sair de si que permite renascermos em tantas, conforme a toada do caminho. Alma desdobrável, que ninguém se engane...encerra a fera tediosa de uma existência banal. Pombinha indefesa e a pantera indomável coexistem no coração de cada mulher.Por que, frágeis, somos fortes em tudo que nos propusermos a realizar. Não tememos os abismos, espantamos a tristeza e afugentamos a vassouradas, se preciso for, o que não nos faz feliz, o que engessa sentimento, a feroz solidão. Repelimos tudo que tenta calar nossa voz. Nossa voz é amor...isto incomoda. E aí, quando conseguimos colocar em versos em quantas nos desdobramos, sempre buscando o sentido de todas as coisas,é tudo uma festa. Esta festa, Patricia Porto, para a qual seu verso sempre nos convida, nos permitindo o fascínio de nos reconhecermos em muitos e diferentes espelhos.É quando resgatamos o sentido. Belo, intimista, inquietante poema...por isto mesmo, sedutor....você, Patricia. Beijos, querida amiga.

JUSSARA MARINHO