quarta-feira, 2 de abril de 2014

A do espelho.


Este ser que me habita
é quase um estranho.
Um animal de carnes,
paixões em extinção.
Calcula,
multiplica,
dá veneno do seu batom
e se crucifica
na própria vida
diminuindo, auto-engolida.
Pouco imprecisa
se avalia.
Ronda espaços,
quartos, famílias,
sempre indecisa.
Não conhece os diâmetros
de seu tempo,
ou as circunferências
da sua solidão.
Pouco sentida,
segue alimentando espinhos
em vastidão.
E eu já nem me conheço
no espelho e no eco
que ela me reconhece.
E eu desejo
A do espelho.

Patrícia Porto