sexta-feira, 21 de março de 2014

Outono para papagaios

Cândido Portinari

O poste, a ponte, o fio
A vida e o fio.
O filho quer ciranda
e o menino vem correndo
atrás das figuras geométricas,
hemisféricas, planetárias.
Metradas raias em raios de cores,
petrificados  os homens crescem
abandonando o menino, não por coragem.
Saudades do menino.  Um fio de memória.
Por onde, por onde o rio, onde a sede,
o viço sem dentes se foi?
Tantos papagaios saúdam o novo menino!
Chegou mais um papagaio! E vem o mundo de voltas
e gira o tempo de dentro em flor cedendo.
O tempo escorrido... o tempo acalmado,
branda luz que abraça a correnteza
e a atravessa.

Patrícia Porto