quarta-feira, 26 de março de 2014

O verão

Portinari

O verão, uma incógnita.
Um barulho de mar, de concha, de areia nas mãos,
abrigo de castelos temporários.
No céu uns Vermelhos, Laranjas, Amarelos...
Uma sede de gastar o tempo,
uma vontade do inútil no corpo.
Quando tudo é corpo aberto a alma pede passagem,
"deixa eu transpassar essa verdade", diz a alma querendo o corpo.
Mas se o corpo quer só a dança, olhos circulam sem paradeiro.
São lentes ampliadas, ampliando o Sol, ainda maior na sua grandeza.
As crianças veem o mundo, doce a sensação, ácida a estação.
O verão se ausenta antes que se compreenda o todo.  
Vai de férias viver profundamente a si mesmo,
pulando corpo desengonçado por sobre a linguagem.

Patrícia Porto