segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Sexta-feira

Quint Buchholz

Um eterno, um instante
Vir-a-ser ser-a-vir
Corpos de naufrágio
em meio a um gole de tempestade.
Tantos os delírios de indeléveis sons
de concha, o mar ao mar ao mar...
Ouvidos para ouvir,
sentidos para viver o imenso: A ilha
E o poema atravessa o espelho
o tempo o verso tatuado
Abismos de mim, os afogados de minhas precipitações
E o poeta ensaia uma nova cartografia em meus seios,
alimenta seus versos de voos e leite bom,
dança diminuto e abraça o espantalho
sonhando com horas de Sexta-feira, livre, selvagem.
Mas sempre acorda Crusoé.

Patrícia Porto