sábado, 8 de fevereiro de 2014

Estrangeira.



Françoise de Felice, Musetouch


Só conheço o amor pelas beiradas,
e só aprendi do amor o verso o largo, o sótão...

Por onde mora, porventura, o cessar de espantos ao teu lado?
Pois serei tua amiga nas coisas velhas: coisas de baú, mistérios amarrotados. 

Farei do meu corpo tua rede de velas e marinheiro
para que me reles o sonho ou me vele a calmaria.

Tua existência me é anima e vontade.
Eu pressinto bonanças, 
de binóculo vejo os incertos dias de nossas distâncias,
um sorriso depois do tempo fluído, margens, desassossegos sóbrios.

Andei tantas voltas e retornos. 
Atravessei a vida duas vezes e dei tantos soluços aos retratos!
E tu, por onde andaste? Foste para tuas regiões próprias?
De certo. Posso ouvir tua voz ao dentro, pernoitando.
É doce a solidão dos barcos,
eu que só desteci fantasmas sei.

Mas hoje quando eu abri meus olhos pela manhã clara
olhei para o tempo e entendi que o sorrir é de aguardo.
Sem agravos danço indefesa da pressa de errar.

Patrícia Porto

Diário de Viagem para Espantalhos e Andarilhos

Livro: Diário de Viagem para Espantalhos e Andarilhos

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Patricia Porto

Livro: Sobre Pétalas e Preces

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Livro: Narrativas Memorialísticas: Por uma Arte docente na Escolarização da Literatura.

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Editora CRV; link: http://www.editoracrv.com.br/?f=produto_detalhes&pid=3111

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