sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Ode ao Cão.

Alessio Ortu

Se a cidade é cão,
urina nas paredes de aço.
A cidade no fluído feixe, tão chuva a ácida.
Tão doce o desespero,
tão fechada a saída de emergência.
Procurem, por favor, a saída de emergência!
A cidade geme, o concreto geme, o teto sem teto,
a mãe sem filho, o filho sem pai, o pai sem teto,
as meninas, os meninos, os nossos filhos descansando na esquina,
um feixe, uma cratera aberta no peito, pontilhados, pontos,
pecinhas desse jogo sem fim sem começo sem tintas na cor.
Perdida a chave, nos cruzem com seus olhos, seus braços,
suas mãos para queimar a maçaneta da porta,
descruzando dedos.


Patricia Porto