quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

cosas eternas


SARA SAUDKOVA

Eu já estive com ele nas nuvens e nas idiossincrasias do tempo, 
velhas antenas de TV, 
rádio de pilha,
coisas que ocultamos no baú como sentenças de um cadáver,
uma língua morta, extinta no achado de tua boca aberta que beijo.

Eu que esperei tanto nessa janela de tempo?
Ainda espero como quem não espera - para não dar azar.

E ele me responde: "e eu que esperei tanto... pela sua espera (e, enquanto esperava, naveguei e colhi estrelas. Trago-lhe uma entre as mãos - a estrela da sorte -, feita da poeira dos tempos, dos tempos da espera)"

E eu que já estive com ele em todas as vidas e esperas me abasteço de sorte,
poeira do tempo,
estrelas...

Patrícia Porto