sábado, 5 de outubro de 2013

persona made in


© Dmitri Markine 


alguém me disse:
para lidar com isso só criando uma persona.
lembrei do tempo de infância falida
com casa grande e boneca de espiga de milho.
a gente arrumava um pano, cobria a frente,
mas as costas se visíveis denunciavam os nós.

Nenhum tecido made in dava conta de nós.


Patrícia Porto

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

poema para a mulher do invisível

Alice Wellinger

mãe filha mulher menina avó moça velha alguém desceu as escadas para o quarto branco cheio de falas e falsas ternuras e de anjinhos pregados nas paredes brancas ursos brancos de pelúcia portas retratos bibelôs perfumes vidrinhos toalha de prato mesa de jantar vaso de rosas a santa a vela o colar a pérola o grão de areia alguém fechou a porta e se trancou no esquecimento não tinha nome nem residência fixa apenas o quarto hóspede de suas alucinações lembranças encantarias o ontem soube lhe acariciar as faces ninguém lhe perguntou as horas ninguém lhe perguntou sua graça os anos passaram a enrugar e ela coseu casaquinhos de lã as paredes resolveram lhe fazer companhia e ela falava em línguas estranhas escrevia para os parentes mortos escutava a rádio relógio você sabia? você sabia? você sabia? você é minha irmã? um dia também morreu e ninguém a sepultou anos mais tarde varreram seus ossos seus cabelos seus poemas seus engasgos suas larvas seu vulcão extinto vermelho vermelho vermelho veias maquiagem de boneca suas coxas seus olhos suas lágrimas seus mistérios sem qualquer mera curiosidade mero espanto mera passageira das coisas belas e feias do destino quimera quisera coragem quisera nome herança partilha ilusão silhueta anel quisera passar espelhos para trocar mas ninguém lhe sabia o nome você sabia? você sabia? você sabia!


Patrícia Porto

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

O atrito: entre espaços e muros na rapsódia da vida.

Imagem© Christy Lee Rogers, from Underwater series

Humanamente
Huma na mente.
Mente, vai!
Afinal foste feito para não dar certo.
Para morrer de medo e pavor, e também sangrar!

Mas ainda assim, loucamente sonhas!
E acreditas nalguma liberdade.
Vazio e cheio.
Cheio e vazio.
Fraco e não fundo.
Desejo de ir profundo.
Feito leito de rio.

Patrícia Porto


Diário de Viagem para Espantalhos e Andarilhos

Livro: Diário de Viagem para Espantalhos e Andarilhos

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Patricia Porto

Livro: Sobre Pétalas e Preces

Livro: Sobre Pétalas e Preces
Livro: Sobre Pétalas e Preces

Livro: Narrativas Memorialísticas: Por uma Arte docente na Escolarização da Literatura.

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Editora CRV; link: http://www.editoracrv.com.br/?f=produto_detalhes&pid=3111

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