sábado, 21 de setembro de 2013

Do tempo à flor.


................................(a gente sempre acha...)

Dê tempo à flor.
É lá onde se perde
- entre fugas e pés
no corpo
do rio, no-além-grão,
que vai com-pondo-mar-gens...

Lá onde a vida curva,
movi-menta-a-mente
e cura-o-ventre
habita a morte: a lúcida?

A lucidez da louca
é que escapa ao vento
e a enche com agonias tolas
e castra a farsa doida.

Dê tempo à flor.

É lá onde suas águas sujam,
líquida do corpo em espaço
que deixa mãos e pés à mostra,
aguando, sujando os dedos,
desfolhada a alma...

Perdoando os crimes
que não cometeu...

Só planejou.
.............................................
Patricia Porto

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Móbiles

Matylda Konecka

Todo movimento
sem movimento
Não-movimento
Inércia?
*
Toda música
sem som
Nenhuma nota
Silencia?
*
Todo corpo
nu de
Muitos mistérios?
Enigma?
*
Toda alma
em-si
Eterna
nua
no Es pa ço
Pesa?
*
no tempo
 há tempo
ou móbiles?

Patrícia Porto

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Ana na Janela.

gioia di scrivere © Rossana Bossù
Florvioleta
Rosa cor
Rosa som
Rosa simplex
Vida dor
Dó e nó
Vida não
Se assemelha
A sementeira
Daninha

Terra sim
Florvideira
Rosa com
Via-láctea
Rosa sem
Arma-duras
Ama sim

Nanaflor
violetas
Rompe
enfim
Violenta
Represa
De palavras

Livre sim
Anaflor
Vio-letras
Nas janelas
Que te vi
escrevendo
Lilases


Patrícia Porto

terça-feira, 17 de setembro de 2013

A Mãe do Pedro.

"Principe e lupo"_ Rosana Bossù

Pediram na escola que eu desenhasse a minha mãe.
Então eu desenhei uma nuvem.
Disseram: Não, não é assim, sua mãe não é nuvem. Desenhe de novo.
Então eu desenhei uma pedra.
Mas disseram que minha mãe não era pedra.
Então eu desenhei uma espaçonave!
Mas disseram que ela também não era espaçonave.
Então eu desenhei um navio, um castelo, um arquipélago, uma tartaruga,
um lobo, um cavalo marinho, um templo e um passarinho.
Perguntaram: então você não sabe desenhar sua mãe?
Sim, sei, como um universo. Do jeito que ela me contou.

Patrícia Porto

domingo, 15 de setembro de 2013

Vestido branco.

Rossana Bossù

Bem lá no interior,
na fronteira entre um quintal e uma varanda
plantei minha simples vida de quermesses.
E só vestia branco

E foi vestindo branco
que ventos o carregaram com minha coleção de preces.
Andei horrores a procura de notícias:
que viessem de tempestade ou navio,
por mar, chuva, procissão, devaneios.

Mas não me chegavam sequer engarrafados os bilhetes de morno amor,
nem telegramas, nem desespero,
nem a trama que bem fiz com meus retalhos.

Meu vestido branco voava sem pregar dores
dançando suspenso na minh'alma em varal.
Comecei sem saber a ter desejos de andorinha.
E como quis voar sobre minhas folhas de antigos
com minhas próprias asas de vela e brechó!

Tanto mal olhado molhando o amor deitado fora
que meu vestido branco vencido pelo vento
contorceu-se de si entre as lágrimas dos corpos
das mulheres que esperam
nos alpendres dessas secas
das angústias dos anos desaparecidos.

Quem sabe o amor retorne agora mais avisado
com uma florzinha de campo e entrega.

Recolho-me mais uma vez meio “lacrimoça”
à cadeira de balanços a sonhar.

No fundo há só o raso do interior
e azul é todo oceano vestido de domingo
e ele mora num quarto branco de silêncios.

Patrícia Porto

Diário de Viagem para Espantalhos e Andarilhos

Livro: Diário de Viagem para Espantalhos e Andarilhos

Livro: Diário de Viagem para Espantalhos e Andarilhos
Patricia Porto

Livro: Sobre Pétalas e Preces

Livro: Sobre Pétalas e Preces
Livro: Sobre Pétalas e Preces

Livro: Narrativas Memorialísticas: Por uma Arte docente na Escolarização da Literatura.

Livro: Narrativas Memorialísticas: Por uma Arte docente na Escolarização da Literatura.
Editora CRV; link: http://www.editoracrv.com.br/?f=produto_detalhes&pid=3111

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