quinta-feira, 6 de junho de 2013

Casulo.

Arte: Ana Luisa Kaminski 

Tem gente que tem o dom de nos mostrar:
esses pássaros que esquecemos de ver do cuco,
o relógio do bruto que já parou de bater.
toc-toc, o coração de quem confunde estações -
não, não sou de voar -
e só de pensar
em passarar... conluio.

Bom te encontrar, pessoa de tão longe mar!
Gente de segredo místico:
que é véu de cachoeira, magia de prece e sereno.
Constrange até o véu da minha tristeza
e eu que me escondi de baú
dentro desse passará... Encapsulo.

Gente de boa sina,
pessoa de frescor de chuva:
tem tanto de alma das coisas amenas...
Nesses atalhos do meu escuro
até meu sorriso é escapista...
Acabou de passar um...
Viu? Passou aqui... Foi curto.

Gente desse Azul,
aceita a minha lassidão.
Acordes do meu ai ai ai...
Fiquei de tão só, talhando meus dramas,
que me deixei desde menina
parada solista na porta de casa,
brincando de pés, pedrinhas de solidão. Casulo.

Patrícia Porto

segunda-feira, 3 de junho de 2013

sonatina para sopros e cordas.


 © Arno MINKKINEN.

Sabemos que há o amor
e há a sede
e o sonho
e a noite para escurecer
seus problemas mais doentes,
suas dores mais sentidas.

E há um medo de existir,
de dormir no escuro,
de assombração que é do dia,
da imperfeição de ser,
perder pai e mãe,
de um estalar de dedos e dados
virar um atropelo sísmico.

E há o fato e o verbo.
mentiras (relativas).
verdades (relativas).
a relativa forma
de esquecê-las todas.

há um tédio,
a lua em gêmeos,
o arranha-céu
a garganta arranhada
de malabarismos
Do De Ca Fô Ni Cos

há o mistério
feito dos que sabem da morte,
a dona doida
que atravessou o Tejo
- para aportar, sem medidas, nessa Baía da Guanabara.

E há a notícia que ninguém soube
- a não identificada.
Há o colapso das estrelas.

Nas redes há teias.
Ateias logo fogo nas vestes, nas naus
para não me deixar partir
até a deixa...

Mas há o signo
e há a sinastria.
a arrogância na palavra dura,
na armadura, um frio fino na nuca...
armas de destruição em massa,
massinhas de modelar crianças...

só por hoje,
só por hoje estender os braços...

E há a permanência, a insistência
- sem anistia da espera.

Há tantos, tantas!
só por hoje...

Faz... Faz de conta,
escreve, escreve
que há tempos pra escorrer nos travesseiros.
Há um som vindo da janela,
um arranjo de flores,
de velas ao mar,
develas
revelas
desvelas
ao mar ar ar ar ar...
por hoje
só...
ou sopros ou cordas...

Patricia Porto

Diário de Viagem para Espantalhos e Andarilhos

Livro: Diário de Viagem para Espantalhos e Andarilhos

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Patricia Porto

Livro: Sobre Pétalas e Preces

Livro: Sobre Pétalas e Preces
Livro: Sobre Pétalas e Preces

Livro: Narrativas Memorialísticas: Por uma Arte docente na Escolarização da Literatura.

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Editora CRV; link: http://www.editoracrv.com.br/?f=produto_detalhes&pid=3111

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