sábado, 13 de abril de 2013

o poeta, as máscaras e o animal. (terra de sal e ninguém)

Gunnar Gestur.



Eu tenho medo do animal que existe dentro de mim.
Ele não pensa.  Comporta-se como uma besta à mesa,
não tolera toalhas rendadas e porcelanas.
Ele não faz as unhas por preguiça, ele não entende para que lhe serve unhas pintadas.
O animal que me habita é selvagem, intranquilo e pode ser violento ao afago.
Olho para ele quando me visto e vejo que ele me entende e me dá coragem.
Algo nele me diz que sou parte dessa estrutura animalesca e temporal.
Não ouso dominá-lo. Preciso de sua fome voraz, preciso alimentá-lo com meu sangue,
minha carne, meus ossos.
Nascemos juntos e na temporada de caça saberemos exatamente onde nos recolher.

Patrícia Porto    




Gunnar Gestur.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Catarses e Personas...


              Proibido calar vozes, catarses e personas. Você pode sim enlouquecer com elas. Mas pode viver sem elas? Não tenho altares, tenho reflexões sobre. Se duvido da existência de Deus? Sim, duvido da existência de Deus. Isso não quer dizer que não acredito em Deus. Se duvido da psicanálise? Sim, da mesma forma que duvido da gramática, da ciência, das novas tecnologias. Se sou louca? Bem, se duvidar me rotula, me faz louca, então eu sou. Paciência. Se Deus é Paciência? Posso apenas desejar que sim.
 Patrícia Porto

                "Precisamos resolver nossos monstros secretos, nossas feridas clandestinas, nossa insanidade oculta. Não podemos nunca esquecer que os sonhos, a motivação, o desejo de ser livre nos ajudam a superar esses monstros, vencê-los e utilizá-los como servos da nossa inteligência. Não tenha medo da dor, tenha medo de não enfrentá-la, criticá-la, usá-la." 
 Michel Foucault



Os bailarinos.



Lúdicos e tortos  com seus passos
eles se encontram e se deitam na varanda
Na sacada, nos varais, nas oficinas, nos salões e nos saraus...
Pelos cantos, nos faróis, nas fantasias,
Nas certezas de incertezas de ser dois.
Nos passos fantásticos eles vão e são mágicos demais.
Soltam seus balões, suas etéreas construções.
São aço e sonhos, sombras, vestes e sinais...
Dançam pela rua, descem as esquinas...
E só para chamar nossa atenção
pulam dessa ponte: o coração.

Patrícia Porto 

terça-feira, 9 de abril de 2013

Sê livre.

VLADIMIR FEDOT.


E se eu só quiser voar sendo livre,
o que dirão os cheios de deveres e compromissos?
E se eu não quiser mais voltar para o engodo da alma,
o que dirão os que esperam minha queda?
E se eu me tornar o mistério
o fabuloso do fogo,
o que dirão os céticos de coração?
E se eu deitar fora toda a profecia,
e queimar as entrelinhas,
romper os pactos,
e entrar sedento e firme
na transcendência sem pedir vossa licença!
O que dirão os inimigos que me vêem um fraco?

É realmente um vexame ser louco
perto dos que retrocedem a passos largos de certezas.
Por isso arde em meu peito a pétala da indecência,
o fruto proibido da mente que pensa,
o pecado que cria
e o gozo da fonte que em mim, pedindo, não seca.
Sou ilha e engasgo,
um constrangimento belo na sua sala de mal estar.
Autenticamente grotesco e liberto na face mais forte
e aguda de meu ser humano.

Patrícia Porto

Diário de Viagem para Espantalhos e Andarilhos

Livro: Diário de Viagem para Espantalhos e Andarilhos

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Patricia Porto

Livro: Sobre Pétalas e Preces

Livro: Sobre Pétalas e Preces
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Livro: Narrativas Memorialísticas: Por uma Arte docente na Escolarização da Literatura.

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Editora CRV; link: http://www.editoracrv.com.br/?f=produto_detalhes&pid=3111

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