segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Serás eternamente livre.



Antonello Silverini


E ele constrói a casa, eles desabam.
E desabafa o desafaço,
esse engasgo todo,
dos pés à semente, e se pergunta;
de que me servirá pensar o desafeto
de minha classe tão distinta?
Melhor seria o desencanto, o desvalido
verso que não fiz por preguiça nascente,
porque nasci com canseiras de antes passados.
Vai, e espera no seu lugar, pois perseveram intrigas,
desalinha a metáfora do Equador numa nação de anões.
Ah, meu pequeno país, meu pequeno grande país de pequenos grandes Napoleões...
Nem a Rosa ficou. Desintegrada, desrespeitada, descamisada, abusada de tudo...
Mudou de identidade. Dizem que mora em outro planeta mais sutil
onde os heróis usam pijamas de dormir e bem bocejam.
A Rosa agora talvez use algum nome como baobá ou macieira...
E faz visagem de sensível onde tudo
que era Arte se doeu de vez.
Ele, o homem da criação, se perdeu pelo meio da história...
Vive cabisbaixo, andando pela ruelas e goelas, catando coquinhos.


Patrícia Porto