quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Para sempre.

Vlad Dumitrescu




E faço tantas confidências aos travesseiros.
Vou alisando o tempo das cabeceiras, discreta...
Onde dormem meus livros dormem meus afetos,
e meus dedos dedilham uma modinha.  

E esse sentir, que é musica,
entranha a abastecer
o que é invento
e nunca se basta. É atonal.
Precisa dar cuidados: algodão,
fronhas, franjas, leito de rio.
Umas desSincronias. 
Precisa dizer que te ama -
que ama esse imponderável,
esse abraço de canduras
sem acentos de rodapé.

Minhas mãos, nossas mãos
vão acariciando essas notas.
E diminuindo o som
apreciamos as pausas...
Eu pedindo ao espelho: me ecoa
nesse respiro diminuto.
Até o dia em que
confundidos de solidão,
a saudade apreciada,
atravessada de imprecisos
nos seja sempre
assim os namorados...
Distraídos.

Patrícia Porto