sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Atropos

Karen Offut


Amo ter que amar o ser amado.
Assim como quase toda criança e poeta
amo a vontade de amar  todo o princípio que germina.
E amo de forma intensa, não correspondida, não investigável.
Amo pela beleza, belo grotesco, pelo encontro entre ambos no corredor
das minhas aparências. Por isso quebro espelhos e fico com as mãos.
Sedenta, abro e escancaro a janela onde foi trancada a tal porta.
Viro de lua, escrevo poemas incontáveis, indisciplinados, bruscos.
Porque o intenso é de brusco.  É um revoar de abraços, cantigas,
noites sempre acesas e boas de festa.
Ah, tudo que é intenso é tão cedo, é tão perto e longe,
tão passarinho de interior,
que eu me pego enrolando o misterioso
só pra ficar mais de dois minutos totalmente sentida.    

Patrícia Porto