domingo, 15 de setembro de 2013

Vestido branco.

Rossana Bossù

Bem lá no interior,
na fronteira entre um quintal e uma varanda
plantei minha simples vida de quermesses.
E só vestia branco

E foi vestindo branco
que ventos o carregaram com minha coleção de preces.
Andei horrores a procura de notícias:
que viessem de tempestade ou navio,
por mar, chuva, procissão, devaneios.

Mas não me chegavam sequer engarrafados os bilhetes de morno amor,
nem telegramas, nem desespero,
nem a trama que bem fiz com meus retalhos.

Meu vestido branco voava sem pregar dores
dançando suspenso na minh'alma em varal.
Comecei sem saber a ter desejos de andorinha.
E como quis voar sobre minhas folhas de antigos
com minhas próprias asas de vela e brechó!

Tanto mal olhado molhando o amor deitado fora
que meu vestido branco vencido pelo vento
contorceu-se de si entre as lágrimas dos corpos
das mulheres que esperam
nos alpendres dessas secas
das angústias dos anos desaparecidos.

Quem sabe o amor retorne agora mais avisado
com uma florzinha de campo e entrega.

Recolho-me mais uma vez meio “lacrimoça”
à cadeira de balanços a sonhar.

No fundo há só o raso do interior
e azul é todo oceano vestido de domingo
e ele mora num quarto branco de silêncios.

Patrícia Porto

Diário de Viagem para Espantalhos e Andarilhos

Livro: Diário de Viagem para Espantalhos e Andarilhos

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Patricia Porto

Livro: Sobre Pétalas e Preces

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Livro: Narrativas Memorialísticas: Por uma Arte docente na Escolarização da Literatura.

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Editora CRV; link: http://www.editoracrv.com.br/?f=produto_detalhes&pid=3111

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