terça-feira, 10 de setembro de 2013

Noturnos.

Rafal Olbinski

Chuva cai fina,
leva o dia, 
a noite de leve abraça o nudo corpo.
O que é um corpo sem pensamento?
Uma arte inventada pela mente?
Um permeado de sentidos
sem projeções de centro,
sem fazer do periférico dentro a distância ínfima?

Sem nenhuma morte circunstancial nem acidental,
só as veias da raiz que se aprofundam.
Apenas o nu do corpo e o devir.
Ah, sem mais dever de casa!
Um corpo que dança, que danças, dançamos...
Um corpo que fala!

E se medos invadirem os sinistros
e o guarda-fantasmas de baús sombrios
se abrir, lá vamos dançar com eles nova melodia!

Chuva fina vai afiando o som, afetando a terra,
desfiando a teia pra compor outro dia, outra esfera.

São tantos ritmos,
luzes de acesos nas noites soturnas.
Que se brinde a chuva!
Que se dance em tribos!
Que se fale o verbo em voz de mistério,
pois a fé não troca a dança da vida por qualquer moeda.
E a espera é sempre imperfeitamente humana.

Toda inquietação, toda pulsação,
toda dimensão 
dedilhando o tempo,
transformando as dores, adubos de vivos,
corpos e acalantos,    

e colo, 
colo pra dormir.

Dorme, meu bem,
que a noite já vem...

Patrícia Porto

Diário de Viagem para Espantalhos e Andarilhos

Livro: Diário de Viagem para Espantalhos e Andarilhos

Livro: Diário de Viagem para Espantalhos e Andarilhos
Patricia Porto

Livro: Sobre Pétalas e Preces

Livro: Sobre Pétalas e Preces
Livro: Sobre Pétalas e Preces

Livro: Narrativas Memorialísticas: Por uma Arte docente na Escolarização da Literatura.

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Editora CRV; link: http://www.editoracrv.com.br/?f=produto_detalhes&pid=3111

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