terça-feira, 24 de setembro de 2013

Como nascem os poemas? E os elefantes?

Rossana Bossù

"Far from home, elephant gun
Let's take them down one by one
We'll lay it down, it's not been found, 
it's not around"


Os poemas nascem dos olhos
dos ouvidos, do paladar, dos sentidos,
da pele que roça no tato da língua viva
e voa entre malabarismos de um beija-flor de papel.
Os poemas nascem de Quintana e de toda maçã da cesta,
nascem do cheiro de café que invade a cozinha da casa
nas coisas minúsculas, nas fotografias, nos baús da família.

Os poemas nascem dos olhos 
e do desejo de amar para sempre
aquela mesma intensa pessoa
que me olhou hoje um sereno.

Sim, direi que os poemas nascem do desespero,
das noites de morte e ventania no coração,
de todo absurdo e do medo, da dor da existência,
da vastidão e do incenso,
do pavio, do aceso,
do fogo, da alma,
de todos os elementos.

E tem o poema que nasce de um conta-gotas
ou na escuta de uma bela canção
que fala sobre a morte dos elefantes
e de um tipo de armamento que derruba grandes espécies.

O meu nasceu da natureza de Alice
que me deu de presente essa escuta
- uma gota - esse todo amor de filha.
E um poema assim, nascido de uma canção,
quer se pôr como os elefantes,
com a dignidade das grandes espécies.

Porque os poemas aprendem e nascem de todo fim
e todo fim por ser começo
tem sombras, luzes,
o grave e o silêncio,
a espera. Uma indistinta espera de ser. 




Patricia Porto