segunda-feira, 13 de maio de 2013

Ave, Morta!



Oleg Korolevskiy


Vai poema!
Escorre como água
molhando de misturas
as terras e as dobras de sentimentos.

Vem palavra!
Clandestina sombra,
a enforcada de todas!
Vem largueando, vestindo o poema,
abrindo, tomando espaços, interstícios.

Feito a lagarta
que passa entre muros. Acesa! Acende o homem!
Noticiaram: ele matou Caim e Abel numa cajadada só!

Vai! Corre palavra! E me leva em tuas patas.
Me leva em teus sujos, tuas sujas patas.

Patrícia Porto
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