sexta-feira, 26 de abril de 2013

Um SOLO e um Naufrágio.

Imagem: Jan Saudek, Hungry for your touch, 1971



só lamento o atraso do fim
que mente sempre o só
vibrando feliz que há um sol na mente.
não, não se meta
nesse enxame que é o de fora.
não, não se toque o solo, ao ceifador,
onde jaz um coração latino
é sempre abaixo do Equador.

há um solo de andorinhas
que deixaram de fazer verão
há tempos...
e sem destino, sem clichês,
o sonho dessa minha juventude
de arriscada não existe,
não se arrisca para além da própria casca e caminho.

camadas são para se retirar
de nossos corpos frágeis.
e para enterrar os nossos sonhos
mais floridos –  ah, um solo...
sóis de flores para murchar com nossas
esperanças esquecidas.
um solo para esconder os nossos ossos,
que feito dois cachorros velhos, nós
tentamos ocultar.
morto amor, nua noite,
correndo lentos atrás do próprio rabo.

só eu e você...
solo para o nosso sol puindo,
caindo...

o big bang.

o bang bang.

o big end.

o nada enfim.
só quartos de separação.

e um outro rastro de papel
atrás da vida
atrás da nossa
vasta
e  - Absurda dor de querer mais,
outra história.

falta do que fazer?
coma a utopia.
coma que é macia.

um solo!
um naufrágio!

não, não nos querem salvos.
por favor, desliguem o recinto.

Patrícia Porto