sábado, 27 de abril de 2013

Em suspensão e pêndulo.

© Aernout Overbeeke


A Santa

Poesia, sou tua!
Carne, alma, unhas...
Dentes de Dante.
E a cabeça feita
até as pontas dos pés.
E as pontes sobre o céu entre polens,
e os poros de tua flor,
as margens encarnadas de: tua palavra.
Minha e vossa ceia posta,
minha insanidade doce sem misérias.


A Louca

Em transe
sou tua cor o escarlate,
Poesia sem vestimentas,
sou teu corpo, do objeto,
teu cavalo em gestação...
Se me danças giro,
giro e rio, giro, rio e águo...
Sou do teu vermelho o sangue e a espuma,
vivo a transfusar por ondas,
fantasma, lançando sinais
a pedir tua guia.

Não me guie, minha guia...

Sou tua em pausas e sonoros silêncios. Só tua.
Toda a rua sabe, todo o chão dessa casa
e o ruído abafado de minha sede noturna.

Um explicito, um acento, um abrev.
breve ato a breve ato
palco e platéia,
simbióticas:
As rainhas do drama, da tragédia, do riso!

(r i so s)

(êx ta se)


Patrícia Porto