segunda-feira, 1 de abril de 2013

Cor das horas.

Jim Brandemburg

Queria não poder guardar vozes em mim.
Do lado de dentro do lar anáguas se penduram
em cabideiros de parede;
penduradas estão minhas dores,
umas soltas, outras suspensas como pêndulos.
Tudo em mim já foi presa
e pressa também.
Mas hoje sou Perséfone
e solto meus cabelos,
viajo nua pela casa,
buscando desconhecidos.
Ando até com o seio à mostra;
E se ele me diz não sentir paixão.
Corro atrás de corda e cadeira.
Guardo meus ossos. Limpo o chão.
Tenho todos os tempos que quis,
tenho inscrições milenares
escritas por baixo da pele.
Sou do livre, a louca.
Todos os votos desfiz
e todos as deixas que fiz,
soltei e fiz caminhos de mesa.
Sozinha em minhas próprias tintas -
- desboto essa cor gentil das horas.


Patrícia Porto