segunda-feira, 18 de março de 2013

Por onde deseducam as Borboletas.


Hoje fiz poesia,
poesia de versos quebrados,
imperfeitos.

Sou tão pouco poeta do corte e do absurdo
que de meu torto verso
Poesia faz troça, traça e trançado de mim.
Troca até o meu nome,
suja minha quadra de renda,
rasga meu pedido no pano:
- Vazio, cheio, cheio, vazio...
Pouco senso.
Muito tento.

Sou poeta de palavras curtidas,
gasturas no fundo da louça,
de uma obscura delicadeza
como as das simples palavras que te digo agora:
pai, mãe, filho, chuva, sol, vida...

Feito a criada das horas,
uma criança faminta
como e oferto do fácil, do digerível – com as mãos:
um doce de ovo, o doce da língua.
Vou cortando por dentro sempre antecipada ao pão de todo dia.
Espalhando promessas em vasos partidos, multiplicados,
vou engolindo serenos e luas.
Consumida de sonhos
vou vagando no tempo,
Temporando um verso aqui,
outro ali...
Num quarto de tecido...

Definições pra quê?
Borboleta a poesia!

Patricia Porto