domingo, 24 de fevereiro de 2013

sangria desatada

Zsuzsanna Mészáros


Quem dera a muda rosa falasse,
a rosa à flor e pele em casca.
E se na rua ao ser a exibida
quebrasse o esquizo de egos rotos.
E ao desenferrujar a fama gasta 
que diz ser melhor quem ganha 
do bicho preso no delicado: 
o ereto, o domador,
danasse a fúria.

Quem dera esses que se tomam semi-deuses
resgatassem suas intactas costelas,
libertando os nossos sentidos curvilíneos,
as nossas doses íntimas de anarquia
e a solidão feliz que tece a alma sem precisar murar-se.

Quem dera a rosa fosse tão livre
em vez de rosa desidratada. E o verso: solto.
Em versorragia. 

Quem dera a muda rosa falasse
pra eu também me libertar desses espinhos
que estão por aqui e ali me espinhando a língua,
coçando a última espécime frágil que só renasce do tempo ao tempo
pedra ou palavra...


Patrícia Porto