domingo, 3 de fevereiro de 2013

Relicários.


Marina Marcolin

Levo meus olhos acesos
- sentinelas da minha memória,
pois já não teço tapetes.
Sequer reparo os retratos –
o relógio e os pratos de porcelana.
Tenho onze anos...
Preciso correr pra sentir o vento:
minha avó tão bonita com seu traje fino,
a figura altiva de meu avô
numa foto de casamento.
A família reunida
e a oração de São Francisco –
todos gravados na parede principal –
no mesmo altar.


Dizem que as histórias não morrem.
São pequenas e delicadas agulhas
- vão juntando os fios da vida
e as sobras da saudade.
Depois ficam espetadas para o sempre
nas almofadinhas da caixa de costura e se- gre - dos...


Patrícia Porto