segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Dedilhando partículas divinas.



Anka Zhuravleva 

quando um sonho morre,
uma pequena parte do mundo definha,
a que se chama coração.
O que a gente faz então com essa roda
de fortunas e infortúnios?
O que a gente faz pra parar de girar sem cair?
Por que a gente corre e não chega?
Por que a gente cresce e não aprende?
E por que a gente ama e sofre,
sofre e não merece?

E a gente morde, assopra,
morde de novo; é mordido.
A gente trabalha e não ganha.
Cultua o corpo
e quer ser aceito por toda gente.
E não descansa.
A gente bebe coca, come alface,
e dorme com gente estranha
só pra se divertir.
A gente cheira e fede,
e bebe pra pensar que é gente,
pra fazer amigo,
pra encher o copo de cólera
alívio e tempestade.
A gente vive, vive, vive...
E não se cansa de se cansar
e vive se cansando de viver
com vontade de viver sem se cansar.

E quando um sonho morre
a gente nem o prepara...
E quando anunciam:
“esse foi, descansou...”,
o que a gente faz?

A gente senta e chora.
A gente chora e só.

Mas sem jeito de parar de sonhar
a gente volta pra roda
e feito o menino da pipa
faz do riso um novo invento.

E sonha ao som de um trem,
um sino,
um latido: um espetáculo...

Patricia Porto

Diário de Viagem para Espantalhos e Andarilhos

Livro: Diário de Viagem para Espantalhos e Andarilhos

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Patricia Porto

Livro: Sobre Pétalas e Preces

Livro: Sobre Pétalas e Preces
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Livro: Narrativas Memorialísticas: Por uma Arte docente na Escolarização da Literatura.

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Editora CRV; link: http://www.editoracrv.com.br/?f=produto_detalhes&pid=3111

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