quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

O silêncio de Electra?

Expansión, escultura de Paige Bradley.

Agora vou entrar no silêncio de Electra,
porque esse silêncio está
cheio de preces,
de segredos de família,
de telefonemas obtusos
e vozes que velam
o berro da placidez do lago.
Basta o silêncio para ouvirmos
a música que quisermos.
E talvez só queiramos ouvir o silêncio
e nele guardarmos o nosso som:
que é um pouco de choro
e um pouco de riso.
Talvez seja o som do sonho que não ousamos revelar
para não parecermos ingênuos.
A aparência é muito silenciosa...
O amor é quase silencioso.
A paixão?
A paixão não.
É filha de Lilith.
É o espelho de Vênus.
É vermelha,
Vermelho-vulcão,
Vermelho-sangue...
Pertence à outra natureza.
Violenta flor da língua,
a paixão é o grito do signo,
a última gota da sintaxe
contra o silêncio.
E no princípio era o verbo?

Patricia Porto



Diário de Viagem para Espantalhos e Andarilhos

Livro: Diário de Viagem para Espantalhos e Andarilhos

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Patricia Porto

Livro: Sobre Pétalas e Preces

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Livro: Narrativas Memorialísticas: Por uma Arte docente na Escolarização da Literatura.

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