sábado, 16 de fevereiro de 2013

A Mulher Hera.

Edouard  Boubat


Nasce em qualquer lugar,
espalha-se entre vãos, paredes... 
veias abertas, inapropriadamente épica. Eras... 
Eu tímica e descendente da alma velha do mundo.
Resistiu às tempestades,
ao calor em excesso, aos tempos sísmicos,
às intempéries do espaço.
Invade muros e casas, palácios de reis decapitadores.
invade até o dentro se não a podarem. E cria raízes.
A mulher Hera é tão milagre,
tão mistério, tão fases de si mesmo
que chega a ser mera,
mera atriz, mera sombra
carregada de flores e anjos na cabeça.

Patricia Porto