quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

O Arco por onde se dignificam os Bobos.


Diego Rivera.


O Arco por onde se dignificam os Bobos.

Não sei se atravesso.
Não saberemos – tu e eu,
minha alma velha.
Ninguém veio para contar,
ninguém narrou a vossa notícia.
Ficamos – tu e eu,
na espera a reescrever
flácidas memórias no travesseiro,
como truques de antecipações
pelas nossas retinas mutiladas.
Um herói soluça contra o enigma.
Destino?
Não. Dissidência.
Ao vencedor o ouro e as batatas.
Ao vencedor o direito de hastear bandeiras
e palavras.
Ao herói o fruto de sua honrada alienação.
Ao vencedor o sucesso pendular.
Ao herói o verso ritmado,
a história em punho.

Não fui herói nem vencedor.
Fui pessoa de pouca aventura,
poucos feitos de espetáculo.
Por isso trago por candura o temporário,
o imperfeito e o que se demora.
Minha palavra é água e está a amolecer meu bruto
na têmpora marcada por antolhos.
Não distingo os homens pela bravura
ou bravata,
mas pelos elementos de natureza
que eles carregam de mão.

Patricia Porto