sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

David Taggart

Eu precisava comprar pilhas, mas havia muita pressa nas ruas... E o asfalto queimava a minha sola de pé.
Muita pressa nos olhos, e nenhuma lágrima indiscreta. Muita pressa no sangue, escaldando no
solo de asfalto, um sangue pardo... Corpos empilhados na horizontal e minhas pilhas do outro lado da rua
no meu consumo diário de energia. Muita pressa nos autos, nos baixos, nos sinais eletrizados,
muita pressa de sentir, muita pressa de matar a hora matinal... a hora marginal. Na margem do asfalto fervendo o solo para bailarinos loucos que vivem de lentidão como as frágeis margaridas, o incunábulo.  
Os viadutos com pressa, a vida chapada, o teto escuro com pressa... Pressa de dizer que o melhor é partir,
pressa de escrever nomes novos nos corpos e trocar os nomes e os corpos por outros corpos e nomes. Pressa de comer. Tudo so fast. Pressa de festa, festa de viver no instantâneo, no miojo da vida o calabouço, a cloaca, o colapso, o conluio, a cocaína, a trapaça, a cidadela desconstruída... A traça, o troço, a masturbação, o ego, o universo, o rádio, um rádio de pilha sem pilhas porque agora jazz é morto, jazz está estirado no asfalto queimando em ondas de ferver meus pés.

Patrícia Porto
    

Diário de Viagem para Espantalhos e Andarilhos

Livro: Diário de Viagem para Espantalhos e Andarilhos

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Patricia Porto

Livro: Sobre Pétalas e Preces

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Livro: Narrativas Memorialísticas: Por uma Arte docente na Escolarização da Literatura.

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Editora CRV; link: http://www.editoracrv.com.br/?f=produto_detalhes&pid=3111

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