segunda-feira, 30 de abril de 2012

Tambores, Danças e Narrativas.


                       No meu livro-tese "Narrativas Memorialísticas: Por uma Arte Docente na Escolarização da Literatura" , "no capitulo dois, busquei tratar da Memória Plural e da Cultura Popular, e como metáfora da memória social e coletiva, escolhi dentro de um recorte necessário, dar ênfase, pelas minhas próprias aproximações memorialísticas, à dança e ao ritual de uma manifestação cultural maranhense que é o Tambor de Crioula nas suas distintas expressões. Assim foi possível dialogar com Mário de Andrade e o acervo da Missão de Pesquisas Folclóricas criada por ele enquanto diretor da secretaria de cultura de São Paulo. Tratando-se de um capítulo empírico, para a elaboração da pesquisa, além da preocupação documental através de diferentes registros como: fotografias, documentos e relatos, sem dúvida, nela prevaleceu a pesquisa sensorial provinda da experiência vivida e encarnada pela pesquisadora: sentir a cidade e as ruas, viver como recorte e corte o ritual do Tambor de Crioula com os sentidos expandidos, sentir a linguagem oculta do corpo, dançar sobre os séculos e as pedras colocadas por mãos negras e escravas, viver o ritual como conceito, como embrião fecundado que gradativamente cresce alimentado por forças coletivas até chegar à maturação, à clareza, à total visibilidade do que é, até atingir a forma plena num processo lento e laborioso de gestação. Ser o cavalo, a linguagem da dança que faz o corpo ser a própria expansão. E como fruto dessa expansão, nascido da "concepção" do ritual, contemplar e celebrar a complexidade da existência humana no singular e plural."
Por Patricia de Cassia Pereira Porto



sábado, 14 de abril de 2012

Casa de Dengo, casa de Dedé.

Imagem: Casa de Dedé, 1973, Patrícia Porto.

Deixei as janelas abertas pro-fundo e pra frente da casa,
pras festas, pros pássaros, pros doidos que andam nas ruas
a escrever poesias insanas, a viver sem regras, pra fora das rotas
invisíveis ao olho nu.
Deixei o tempo de molho, as barbas também,
pari dez vezes o mesmo verso
e me danei a soltar pipas de solidão.
Correndo pela varanda pra dentro do corpo,
saudade da velha, minha velha Dedé,
cadeira de balanço, sol de rachar o quengo,
doce de histórias,
as mais visíveis a ouvido nu.

Patrícia Porto

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Alto-mar.

Imagem@ Sarolta Ban.

Sim, dizem que a vida tem suas ondas, altas e baixas,
marés que mudam as notícias do mar e das velas.
Não sei o que se sucedeu com a minha.
Pois que eu saiba só me lembro mesmo é da quantidade imensa dos naufrágios.
E de sempre, diante da miragem de um porto, acordar afogada e flutuante nas artimanhas do passado,
onde fantasmas sabotadores desatavam com sutileza os nós das minhas mãos
para depois afagá-las em território de ninguém.


Patrícia Porto