domingo, 30 de dezembro de 2012

Transcendências...

 "Akash", Bangladesh, ganhador do concurso Travel Photographer 2009.


Há um véu que adorna o rosto.
Um mosquiteiro sobre a cama.
O mundo bem podia ser feito de filó
e de sua inevitável transparência.
Mas há tantos chambres de dormir
e máscaras de gás nos armários.
no algodão que encobre os corpos
para serem levados ao Ganges há paz.

transparências sim, algo dão,
algodão puro, água para banhar-se...
A água de rio corrente desacorrenta almas e tecidos.
Translúcidos nos tornamos.
Translúdicos como crianças que brincam com oxigênio.
Transparentes da mesma família humana.
Tolerantes e violentos como as águas dos rios,
mas também doces e profundos.
O tempo é movimento, tomba e dilata.
A poesia é uma transparência do ser
que se desnuda em várias fatias de horas anteriores.
O poeta é um sonhador que transparece feliz.
O fundo é o barrento da alma que se transforma
com transgrediências...
E transcende.

Patrícia Porto