terça-feira, 11 de dezembro de 2012

O Porto.

 Imagem© Igor Kragulaj, Croácia.

adiante...

Se fosse o mar a nossa mão direita
E a nossa garganta fosse a água dar a senha
Não, não teria razão para tanta sede

Se fosse o mar doce como a tua beleza
E não fosse fel a onda, nossa água ardente,
Não, não teria razão para tanta sede.

Se fosse o mar calmo como o teu canto
E não fosse estranha a minha natureza,
Não, não teria razão para tanta sede.

Se fosse o mar todo o teu bem futuro
E se não fosse nessa água esse tanto sal,
Salgando essas carnes nossas feito um fado triste,
Não, não teria razão pra enterrar na areia esses nós e pés,
Adubando a terra com tamanha sede.

O Porto ficou deserto, vazio parto de si.
A inundação foi chegando, salgando sua chegada.
Varreu o sal dos seus barcos
E quem esperou nele o amor
só viu a sede partida.
Tanto mar em terra firme
Se despedindo da vida...



Patricia Porto