sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Terra de águas, casa de areia, amores de mina.


Imagem: Pierre Verger, São Luís do Maranhão, 1948.



Minha terra é que me sangra,
é que me acolhe, me faz a cabeça.
A terra me engravida de mil potes de água
e circula neles a narrativa que batiza meninos.
Minha terra é que me sangra e fala,
e na sua vasta voz,
ouço a voz do exílio dos povos,
ouço linguagens de tambor ao coração
a bater e chamar...
Ouço o pedido
dos cravos, das carrancas dos rios
e crenças que renascem
sem risco de resistência.
De oferenda às raízes
encontro dos frutos vindouros,
os que vingaram o destino,
os que se fizeram opostos.
Dela sou
um ser miúdo,
um ser pequeno,
misturado de origem
a todas as crendices do areal.
Um ser terreno na poeira dos sujos,
no barrento da magia dos cantos.
E nas desordens das cheias
um ser de marés,
que por estar vivo,
consegue abrir a porta,
e mesmo vazio de enigmas e absurdamente egoísta,
pode sentir os pés que dançam.
A dança é que amacia a vida dos esquecidos de outros.
E ainda me sangra.

Patricia Porto

Diário de Viagem para Espantalhos e Andarilhos

Livro: Diário de Viagem para Espantalhos e Andarilhos

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Patricia Porto

Livro: Sobre Pétalas e Preces

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Livro: Narrativas Memorialísticas: Por uma Arte docente na Escolarização da Literatura.

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Editora CRV; link: http://www.editoracrv.com.br/?f=produto_detalhes&pid=3111

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