quarta-feira, 3 de outubro de 2012

terra de irmãos...


Imagem@ Ricardo Funari


a terra é nossa,
nossos são os novos trigos, 
o sol se pondo de amor, uma muralha...

a luta: nossos dedos revolvendo
o barro de veia expressa, é cria.
a noite sim, a sua, a vossa
são vadias de vadios cães...

por que avenidas e sangrias
não desfilariam ares de rei ou rainha?

a vossa cama é soberba
asfaltos, feitos de tortos remendos,
restos de nossos sonhos
dejetados no umbral de vossa porta...

o sal do choro é nosso, 
o tempo: remédio placebo
batendo na hora sempre
a errada, é sobra de cidadela. De graça.

(a louca que em nós pariu um país não sabe fugir. Finge esquecer.)

o tempo da guerra é vosso
com nome e sobrenome:
a casa de land.
a vossa gana gasta o chão em sangue pardo.

Quem limpa os dedos do tempo? As digitais?
Quem paga o preço? A pólvora?
A conta? E o pato?
Quem come o pato?

sois vós, nesta terra de irmãos?

não são vossos os nossos sóis,
pois nossa é a pátria, o sumo de outra esfera,
a resistência em som de acalantos;
nossa vingança: alegria...

Patrícia Porto