sábado, 20 de outubro de 2012

Sobre poetas e jardins.


Imagem@ Henri Cartier Bresson.


Nas asas de  um adão.
Que costela nada... Asas!
As asas da criatura,
nos campos do criador,
trazem em si
a incômoda inquietude
de Artear o novo fogo.
Há de arder assim na pessoa água-viva.
Já o silêncio os reclusa, o necessário...
já aquele algo da alma não inócua os enfurece e os tece nova voz
ou os abranda o tempo da solidão uma qualquer brisa de verso:
fazer poemas é reconhecer em si uma vida que sempre morre
 antes de qualquer mero definitivo.
Pra ver nascer.

Patricia Porto